Copa do Mundo no Brasil é indiscutivelmente algo que contagia a população de maneira geral. O interesse pelo assunto, os bolões, as escalações de cada “técnico”, reuniões para assistir jogos, debates sobre os problemas e as soluções do futebol…

Isso se repete a cada 4 anos… Nos intervalos entre as copas, assistimos a corrupção, a falta de seriedade e profissionalismo no esporte tomarem conta. Escândalos, dívidas crescentes dos clubes, uma situação cada vez mais dramática. E quando acontece um “7 a 1” entende-se que é preciso mudar. E quando surge um talento como Neymar, aposta-se que temos boas chances.

Conversando com médicos e gestores de clínicas e consultórios de todo o Brasil, percebo uma semelhança do assunto Gestão com o da Copa do Mundo.

O assunto Gestão é tipicamente alçado a “muito importante” em decorrência de algum acontecimento, alerta ou estímulo: uma história de alguém que foi fraudado ou roubado, um bom negócio que faliu por falta de controles financeiros, uma palestra inspiradora sobre o tema, etc. A semelhança com a Copa do Mundo é o perfil “tiro curto”, bem como o intervalo. Ou seja, o interesse na Gestão não tende a sobreviver a demanda de esforços, investimentos, alocação de tempo por parte dos sócios… E provavelmente esse tema ficará adormecido por um período de tempo, até que seja estimulado novamente.

E esteja certo, esse tema seguirá sendo estimulado. Seja pelo fisco, pela concorrência, pela administração de pessoas ou do financeiro, os sócios de clínicas e consultórios invariavelmente vão se deparar com desafios que não podem ser resolvidos pontualmente, em um torneio de de 7 jogos.

A gestão é um assunto muito mais semelhante ao campeonato de pontos corridos, que acontece ao longo do ano. Dezenas de jogos e viagens, centenas de treinamentos, preparação física, etc. Precisa ser incorporado ao “jeito de ser”. Seja uma demanda de gestão de altíssima eficiência, seja para ser controlado e seguro, o trabalho é no dia-a-dia. Não são passos grandes ou pequenos, é o tamanho da caminhada, e o quanto já andamos.